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Nossa canção, ou não

Hoje ouvi a nossa música. Acabei percebendo que havia muito tempo que não ouvia aquela banda. Aquele CD específico e mais ainda aquela música. Nem muito bem sabia porque. Sempre me recordava das linhas de baixo que me estampavam um sorriso no rosto. Aquele ritmo que me embalava a alma. E a letra?? Nossa, costumava cantar baixinho, como um hino sussurrado para a eternidade. Soprado pra ir voar bem longe. Alcançar todos os 4 cantos do mundo e conquistar o universo. E de alguma forma era mais que o universo inteiro. Por dias algumas lágrimas caíam ao ouvir este som. Outras vezes um sorriso. Tentas vezes muito mais complexo, os dois.

E não sei porque o teatro me veio à cabeça, mas dessa vez sem a menina. O balaio ficou pra trás. Talvez curtiu ficar sobre a grama após ser usado num pique-nique. Ficou la sendo sol e chuva e acabou voltando para a terra. O que um dia esteve cheio, mas nunca pesado de se carregar, hoje é apenas só um balaio.

O baixo ainda move. Mas é música, não mais amor. Vai fundo em sua pureza e me faz lembrar aqueles sorrisos. Me estampa a cara mais uma vez. Como um album de fotos que lhe traz memórias. A música não volta ao que era antes, mas também o balaio não é mais o mesmo. Novos balaios por vir e ainda sim um sorriso e lágrimas e pique-nique e vida!!

A música toca e eu a revisito. Faço dela meu sonho e meu pão. O baixo ainda move. Ritmado, Agitado como criança que corre pelo jardim. Que descobre um novo mundo. Menina vou te guardar para o mundo. O mundo é teu. Menino vive! Esconde-esconde no peito. Menino sorri e volta fazendo charme. Volta forte e mais sábio, o canto é mais lindo e talvez também mais sofrido. A melodia se esconde nas claves que foram guardadas nas gavetas. O palhaço vive agora em outros picadeiros. Não há mais tanta luz, mas a luz que ainda vive é linda e bela. As charangas já são de despedida, daquelas que deixam a esperança de retorno.

Talvez o canto volte a ser em latim. Clássico. Profundo. daquele que volta e toca. Com orquestras e violinos e cellos, clarinadas sopradas a todo pulmão e suavidade. Como tem música!! E eu no violão ainda sorrio. Não toco nada mais que poucos acordes, mas ainda há a música dentro de mim... vivendo e me fazendo viver!





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